Palavras Torpes
Espaço para (des)construir idéias.
domingo, junho 10
Eu adoro a sensação de estar deitado em meu quarto as seis da tarde, com as luzes apagadas, nada de TV, nada de musica, som nenhum, apenas desfrutando da beleza caótica do barulho dos cães da minha rua que latem entre si, o barulho dos ônibus que sobem e descem a avenida, o barulho dos trens que correm pesados por sobre os trilhos, lotados de gente, pessoas soadas, cansadas, sem estimulo, loucos, fanáticos religiosos, ateus carregando suas bolsas com marmitas sujas, estudantes com seus livros e cadernos estúpidos, sorrisos, jogos de baralho, tarados, senhoras, gente abarrotada por cima de gente eu estou aqui sozinho, sem dor, sem cansaço, sem sentimento nem um sobre a cama, como um paciente em coma, que não reage a nada, apenas escuta o mundo se de gladiando lá fora, eu me sinto protegido, de mim, quando estou aqui, não há lugares que possa estar para fazer nada de errado, não tenho ninguém aqui mandando em mim, nada de filas, nada de carros, não preciso competir com ninguém, e quantos nascem, quanta dor sobre noticias de morte, e quantas mães choram de emoção vendo sair de si sua parte para continuar a humanidade, quantos estão transando, ou frustrados por não terem alguém, quantos agora mesmo estão enchendo a cara de pinga barata nos botecos, sem esperanças, quantas mulheres estão apanhando de maridos violentos, e quantos maridos trabalhadores estão sendo traídos em motéis caros, quanta vida lá fora, quanta desgraça, mas eu continuo aqui deitado imune, ileso a tudo, uma hora terei de levantar, e voltar a a correr nesta roda de hamster chamada vida, mas por enquanto continuo aqui deitado no escuro, essa é minha paz, as pessoas associam paz com a cor branca, com luz, com pastos verdejantes, quanto a mim paz é trevas, é caos mas não em mim, um lugar aonde não me vejo a paz é ausência de tudo, o silencio, a paz se encontra aonde eu nada posso encontrar nem a mim
terça-feira, maio 29
Domingo
segunda-feira, abril 23
Poesias de uma tarde qualquer
domingo, dezembro 4
Divagação sobre a curta existência.

Tenho relutado em voltar a escrever, ideias nascem e morrem com muita facilidade dentro de mim, confesso que o desanimo por saber quem ninguém ira ler-me, atrapalha no processo, começo a desenvolver uma ideia e logo me vejo sem proposito de continuar, assim também sou na vida, começo a procurar sentido a certas coisas que faço. Você já tentou se questionar a respeito das coisas que faz? Tudo tem realmente um por quê? E quando tem esse porque vale a pena? Quando começo a me questionar nesse sentido me pego observando a vida do ponto de vista de um rato de laboratório que vê apenas um clico rodando sem sentido.
Vejo pessoas abandonadas em leitos de hospitais e asilos, outras jogadas como entulho nas calçadas de são Paulo, e inúmeras situações aonde o ser humano é reduzido a mero peso morto sobre a terra, considerado como estorvo para seu semelhante, que se julga melhor apenas porque naquele momento da sua existência se encontra em uma posição mais favorável mero engano temporal, nada é para sempre, nem os bons nem os piores momentos.
Somos obrigados a viver muito mais em função das nossas necessidades, do que realmente ansiamos do profundo do nosso ser, a sociedade nos obriga a seus costumes, meios de sobrevivência, que muitas vezes nos faz diluir nossa alma lentamente através dos anos, perdendo nossa essência, e nos transformando em robôs fisiológicos, bonecos de carne e o tempo, esse sim é implacável e nos mostra o quanto perdemos agradando as vontades alheias, e enterrando nossa existência em uma sepultura de mediocridades funcionais.
Eu pisquei e se passaram muitos anos, eu olhei pra traz e vi etapas queimadas, percebi o quanto fui tolo, o proposito desse texto, é despertar em quem ler uma consciência de si próprio, perceber o quanto é importante olhar pra dentro de si, e agarrar com toda força possível aquele ser com paixões e anseios reais, e não deixa-lo ir pouco a pouco se transformando em apenas mais um rosto, dentro da multidão que caminha como uma massa zumbificada sem alma rumo ao matadouro da existência, viva, lute pelo que acredita, faça o que gosta o que te faz sentir vivo, trabalhe, mas com prazer, ame com verdade, ignore opiniões que te façam atrofiar, retroceder, busque sua força interna, e se um dia cair, ou terminar abandonado sozinho, doente, vai sofrer as dores do momento apenas, não carregara em si as dores acumuladas de uma existência nula.
Eric, 4/12/2011 02 Am
quarta-feira, outubro 26
Viver ?

Ele já deveria imaginar que algo estava estranho quando passou em frente uma loja de brinquedos às 4 da manhã e viu pela vitrine escura uma hello kit de cabeça pra baixo, bizarro no mínimo né, Ele parou na padaria de costume, tomou não uma, mas duas xícaras de café puro, aquele que da angustia sabe, e seguiu em frente ao seu trabalho na funerária da cidade, pelo caminho ia pensado, em como aquela cidade é bonita em comparação ao lixo de bairro que mora.
Quero poupa-los dos detalhes do trabalho dele, apenas imaginem que em uma funerária não se faz um trabalho muito agradável, o cheiro de flores se confunde com o cheiro de morte, e de madeira, hora madeira boa, hora ruim, de acordo com o poder aquisitivo da família do morto, como trabalha em um setor digamos fechado, pode usufruir de seu antidepressivo, liquido durante todo o expediente, o deixando assim digamos mais próximo de ser um cliente do seu local de trabalho.
Seu dia não foi bom, mas nem um dia era ele chegou cedo, antes de seu horário, ficou sentado observando um corpo ser preparado e tomando mais café, ouvindo em seu celular uma banda de hard´rock, depois segui sua rotina, algodão, cadáver, pinga caixão, era isso, afinal não tinha estudo, foi obrigado a sobreviver, sem os pais, criado por um avo maldito que o obrigava a ser quem ele não queria seus 23 anos pareciam ter o peso de 80, e as marcas em sua pele denunciavam o uso de algumas substancias no fim de semana.
Ele saiu do trabalho, às 17hs, pensando em mudar de vida, estudar afinal, sou novo ainda, pensava ele, preciso parar de beber, de cheirar, preciso parar de ser esse ser maldito, não quero mais vestir morto o dia todo, não quero mais morar naquele lixo, não quero mais enfrentar esse trem cheio de pessoas infelizes, quero uma família, um lar ser alguém, fazer algo importante, e lá estava ele de novo passando em frente à loja de brinquedos, desta vez os brinquedos estavam arrumados, mas sua mente não estava, pensava muitas coisas ao mesmo tempo, uma mistura de vazio, interno, com uma esperança que parecia se diluir aos poucos, e ele seguiu até chegar a sua casa, tomou um banho e dormiu, sem comer.
Acordou de súbito às 2 da manhã suando, com calafrios pelo corpo, sentindo seu peito apertar, sua visão turva, parecia que algo estava crescendo em seu peito, uma dor que refletia nos braço, caminhou até a cozinha procurou um remédio, algo para aliviar aquilo, não achou nada, correu ao telefone, ligou pro resgate, e disse que estava se sentindo muito mal, passou o endereço, e caiu ao lado do telefone, quando o resgate chegou estava lá, apenas seu corpo, sua alma já não mais, agora sim, estava livre, não precisava mais ser escravo do seu trabalho, nem de sua miséria, nem de suas drogas, no dia seguinte não ia ter que enfrentar o trem lotado, nem si deprimir com a cara triste das pessoas, nem projetar futuro algum, pois isso cansa e nem sempre da certo.
Ele morreu? Isso é triste? O que é morrer? O que é triste, o que de fato faz sentido? Uma existência nula, ou uma desintegração do ser evitando assim anos de sofrimento? Bom não tem como responder, essa foi apenas uma estória fictícia de alguém que nunca existiu, mas se fosse real, também nunca teria existido, compreendeu?
quarta-feira, junho 22
Saindo com Minha filha
terça-feira, maio 3
Sobre amor e desamor paterno.

Observando minha filhinha de quatro meses, dormindo em seu bercinho, no silencio da madrugada, aonde considero um dos raros momentos que podemos ouvir nossos pensamentos sem barulhos paralelos, começo a refletir sobre alguns fatos de minha vida e posteriormente sobre o rumo que os sentimentos humanos estão tomando, desde o momento em que eu e minha esposa tivemos a noticia que um bebe chegaria, um sentimento de amor gratuito e incondicional brotou em nossos corações sem que, tenhamos feito nada pra que isso aconteça, simplesmente brotou como uma semente boa, que tem a capacidade de crescer e se agigantar a cada segundo, se transformando em uma arvore de raízes profundas com sua copa chegando até os altos céus simbolizando a atmosfera de amor divino que esse amor representa.
Porem quando saio desse estado de quase extasse emocional, me deparo com uma realidade muito diferente ao meu redor vejo pais e filhos demostrando um sentimento hostil, e muitas vezes odioso um para com o outro, escutamos noticias de filhos que matam os pais, por dinheiro, pais que matam os filhos guiados por sentimentos doentios de relacionamentos malditos, pessoas estão constantemente abandonando crianças nas latas de lixo, ou abortando como alguém que tira um tumor maligno de si. Observo a cada dia, pessoas se tornando mais frias, egoístas, sínicas, muita delas ainda se declarando cristãs e piedosas é claro que para cada consequência dessas temos uma causa primaria, pessoas que não receberão amor não são capazes de doar amor, outras que gerarão sem sentimentos, aquelas crianças que foram frutos de uma boa transa, mas sem amor, também são rejeitadas por serem associadas a um castigo que a pessoa terá de carregar pela vida toda sem troca apenas de uma transa, que às vezes nem foi tão boa assim, ou partindo para um lado mais extremo as vitimas de estupro, que engravidam é um índice muito baixo porem não descartado, enfim os motivos para uma mãe ou pai rejeitar uma vida são vários na visão egoísta dos mesmos, temos também, aqueles casos em que os filhos se tornam verdadeiros inimigos dos pais chegando a desejarem sua morte, quando é apenas um conflito passageiro de gerações ainda é corrigível, porem quando evolui para a vida adulta pode causar feridas incuráveis.
A impressão que tenho é que esse processo de degradação humana, e desamor familiar só tende a crescer a cada dia mais, seres humanos sendo fabricados como objetos descartáveis, e jogados em covas existenciais cada dia mais profundas, dentro do meu ser, sinto que o sentimento de amor incondicional pela minha filha nunca se apagara, e o motivo não é externo, não tem a ver com minha relação com a mãe dela, ou com qualquer outro fato, o motivo é interno, é como eu disse incondicional, sem condição estabelecida, simplesmente é, não consigo imaginar isso um dia se convertendo em raiva, ou ódio, apenas amor, mesmo que a vida me traga surpresas, mesmo que ela tome caminhos opostos as minhas convicções e princípios, e esforçarei até o fim, para que a ensine no caminho que deve andar, e quero acompanha-la no caminho, sempre a amando, meu convite a qualquer um que leia esse simples texto, sem nem uma intenção poética, é que comece a enxergar seus filhos, seus pais, seu próximo, com um olhar de amor, independente dos fatores externos, ali há uma vida, uma alma, que foi colocada ao seu lado, com um proposito, mesmo que seja apenas com o proposito de te fazer alguém melhor.
"E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. "
Jesus Cristo.